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No próximo ano, a Associação Educacional Dom Bosco - AEDB e a Academia Militar das Agulhas Negras – AMAN perderão, temporariamente, sua professora de inglês, Sheila de Almeida Matias Alexandre, que está embarcando para o Haiti, na América Central, onde participará da Missão da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Estabilização daquele país.
Licenciada em Letras, com pós-graduação em Docência do Ensino Superior, pela AEDB, e Oficial do Exército Brasileiro, servindo na AMAN, a Capitão Sheila, resendense de 34 anos, vai deixar alunos, amigos e familiares – entre os quais a filha Maria Elisa, de 7 anos – durante seis meses, a fim de participar da Missão no Haiti, para a qual se inscreveu como voluntária, impulsionada pela vontade de contribuir com uma causa humanitária.
Selecionada pelo Comando do Exército, a Capitão Sheila vai para o Haiti como uma peacekeeper - que, em português, pode ser traduzido como “pacificadora” – e será chefe da equipe dos intérpretes de inglês. Ela integrará o 12º Batalhão de Infantaria de Força da Paz, que é um dos batalhões que compõem a Missão da ONU para Estabilização do Haiti – MINUSTAH.
- Toda comunicação entre os Batalhões e com o escalão superior acontece em inglês. O Batalhão também recebe visitas de autoridades estrangeiras e, durante sua permanência na Unidade, elas são acompanhadas por intérpretes – detalha.
Motivo de orgulho
Formada em Letras, habilitação Português e Inglês, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Dom Bosco, em 1996, a professora Sheila diz que o corpo docente da AEDB exerceu uma grande influência em sua escolha profissional.
- Fui aluna de professores que eram militares e, durante suas aulas, tive a oportunidade de conhecer um pouco sobre a carreira militar. Ingressei nas fileiras do Exército Brasileiro em 1998, como oficial temporária e, em 2000, fui aprovada no concurso para a Escola de Administração do Exército, tendo servido em Salvador-BA, antes de vir para AMAN – conta a professora.
Durante o período de sua participação na MINUSTAH, que vai de janeiro a julho de 2010, a Capitão Sheila ficará encarregada de assessorar e apoiar o Batalhão que irá atuar diretamente, junto com os demais integrantes da Força de Paz, para “a criação de um ambiente seguro e estável para o povo haitiano”, conforme explica, manifestando seu “orgulho por poder participar de uma missão desta natureza”.
Casada com o angolano Manuel Oliveira Lemos Alexandre, também professor da AEDB, a professora Sheila esteve em Angola, em 2000, quando pôde vivenciar a situação de um país em conflito. “Acredito que esta vivência poderá me ajudar, de alguma forma, no desempenho de minha missão no Haiti”, conclui.
"Você, meu amigo de fé, meu irmão camarada"
O Brasil em Missão de Paz no Haiti
O garoto haitiano John, com seus 13 ou 14 anos, fala até português aprendido com os militares. (...) John cumprimentou o repórter brasileiro e pediu para ligar a câmera de vídeo. “Acatei o pedido sem perguntas”, conta o repórter. Ele queria registrar seu carinho pelo Brasil cantando Roberto Carlos: "Você, meu amigo de fé, meu irmão camarada".
A missão de paz do Haiti completou cinco anos recentemente, e o Brasil é o país que mais contribuiu com a força-tarefa da ONU para estabilizar o país. Atualmente, são 1.298 militares brasileiros que, com os representantes de mais 17 países, somam cerca de 7 mil homens e mulheres. Estima-se que nesses cinco anos, o governo brasileiro já tenha gastado perto de R$ 577 milhões, dos quais cerca de 40% são reembolsados pelas Nações Unidas, segundo o Ministério da Defesa.
Desde 2004, mais de 10 mil brasileiros usaram os capacetes azuis (símbolo das missões de paz da ONU) no Haiti. Isso porque um militar só pode servir em áreas de conflito por seis meses. Ir para uma missão como essa significa estar a serviço 24 horas por dia. Cansaço físico à parte, sair do Brasil e ir para o Haiti conviver com o extremo da pobreza e da humilhação humana gera um desgaste psicológico muito grande.
Primeiro país das Américas a se tornar independente, em 1804, por um levante de escravos que resultou na independência e na expulsão dos franceses, o Haiti foi dilacerado pelos infortúnios que percorreram sua história recente - ditaduras sangrentas, conflitos armados entre gangues favoráveis e contrárias ao governo e intervenções internacionais. A luta dos haitianos está estampada no rosto de cada um, no sorriso de cada criança.
O Haiti é um país completamente abandonado, onde apenas 19% das casas têm rede sanitária e grande parte da população sofre com doenças como hepatite e malária. As instituições públicas simplesmente não funcionam. Não há energia elétrica em grande parte das casas e quando há iluminação pública, ela só funciona durante seis horas por dia. O lixo convive com as pessoas e disputa espaço com os carros no meio da rua. Em 2002, segundo dados da ONU, 54% da população haitiana viviam com menos de um dólar por dia e 46% estavam subnutridas; 70% dos quase dez milhões de haitianos estavam desempregados.
Em 2004, o Haiti vivia em profunda crise econômica e social. O então presidente Jean-Bertrand Aristide dirigia um país degradado. O conflito entre gangues e exércitos paramilitares favoráveis e contrários a seu governo se agravou até o ponto em que Aristide teve de ser exilado na África do Sul. Instituiu-se um governo provisório e a ONU enviou uma missão de paz. Começava a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, que está no país até hoje.
Quando foi instalada a missão de paz, a insegurança e a incerteza de voltar para casa com vida dominavam os haitianos. Hoje, muita coisa mudou. As patrulhas, sobretudo das tropas brasileiras, passam segurança para a população e reprimem o reaparecimento das gangues que atuavam à revelia do Estado. Isso fica claro caminhando pela cidade e conversando com as pessoas.
Fonte: Transcrito da Revista Brasileiros – edição 25 / agosto 2009 – repórter Victor Ferreira
(http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/25/textos/674/)
Resende, 20/11/2009
AEDB – RP/Assessoria de imprensa
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